sábado, 11 de março de 2017

Banco da Felicidade (Texto)


Observo as pessoas fazendo círculos sem fim,
vai e vem pela mesma rota,
dando os mesmos passos apressados que insinuam um atraso.

E eu sentada num banco de felicidades e sorrisos
que nunca percebidos pelos que aqui passam,
observo as árvores calmas,
poucas que restaram nesse reino de pedra.

Os pássaros voam alegres por cima das árvores,
cantando,
mas ninguém escuta,
ninguém os vê,
a não ser que algum pássaro jogue um pouco de sua alegria,
transformada em líquido branco,
em alguém que por ali passe.

Todos procuram incessantemente pela felicidade,
correndo todos os dias em frente daquele banco
mas nunca perceberam a felicidade logo ao lado.

Se alguém olhasse,
e sentasse naquele banco veria que os pássaros ainda cantam,
as árvores ainda existem
e os ventos ainda brincam.

Mas ninguém vê o banco
porque não podemos ver com os olhos,
e nem com telescópio ou um microscópio,
mas com a alma e o coração.

-Debora Almeida Serra

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